CPI do Cachoeira marca 9 depoimentos para a próxima semana

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Nove pessoas deverão ser ouvidas na próxima semana pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que investiga as relações de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados. As reuniões serão realizadas na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado Federal. As informações são da Agência Senado.

Os três primeiros, marcados para a terça-feira, às 10h15, serão questionados sobre a venda da casa onde o contraventor foi preso em fevereiro deste ano. O imóvel, localiza em um condomínio de luxo em Goiânia, pertenceu ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Serão ouvidos o ex-assessor de Perillo, Lúcio Fiúza Gouthier, que teria presenciado o pagamento do imóvel; Écio Antônio Ribeiro, um dos sócios da empresa Mestra Administração e Participações, em nome da qual a casa foi registrada num cartório em Trindade (GO); e Alexandre Milhomen, arquiteto que trabalhou na reforma da residência.

Outras três pessoas ligadas ao governador de Goiás ou que alegam ter tido relação com ele serão ouvidas na quarta-feira, também às 10h15: Jayme Eduardo Rincón, Eliane Gonçalves Pinheiro e Luiz Carlos Bordoni.

Rincón, ex-tesoureiro da campanha de Perillo ao governo do Estado em 2010, é presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop). Segundo as investigações, foram depositados R$ 600 mil pelo grupo de Cachoeira na conta da empresa Rental Frota Ltda., que tem Jayme como um dos sócios. A Rental já confirmou o pagamento, mas diz que se refere à venda de 28 veículos usados. Da primeira vez que foi convocado, em 30 de maio, Jayme alegou problemas de saúde para não comparecer.

A ex-chefe de gabinete de Marconi Perillo é acusada de repassar informações sobre operações policiais. Da primeira vez que foi convocada, Eliane conseguiu habeas corpus para ter o direito de permanecer em silêncio e também alegou problemas de saúde para não comparecer.

Já o radialista Luiz Carlos Bordoni afirmou, em entrevista à imprensa, ter recebido dinheiro da Alberto & Pantoja Construções para prestar serviço à campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás em 2010. Segundo a PF, a Alberto & Pantoja é uma empresa de fachada de Carlinhos Cachoeira para lavar dinheiro da empreiteira Delta.

Outros três falam na quinta
Na quinta-feira, às 10h15, a CPI colhe depoimentos de outras três pessoas para buscar esclarecer fatos relacionados ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT): Cláudio Monteiro, Marcello de Oliveira Lopes e João Carlos Feitoza.

Ex-chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Monteiro foi citado em escutas como possível facilitador do esquema de Cachoeira no governo do DF. À CPI, Agnelo afirmou não ter conhecimento sobre qualquer proximidade de Monteiro com Cachoeira e defendeu seu ex-subordinado.

Também conhecido como Marcelão, Lopes é ex-assessor da Casa Militar do DF. Segundo a Polícia, estava envolvido na tentativa de conseguir a nomeação de um aliado de Cachoeira no Serviço de Limpeza Urbana (SLU) da capital. O governador Agnelo disse à CPI que logo depois que se tornaram públicas as denúncias, Marcelão foi afastado.

Já Feitoza, ex-subsecretário de Esportes do Distrito Federal e também conhecido como Zunga, é suspeito de receber dinheiro do grupo de Cachoeira e também de ser uma espécie de contato entre o governador Agnelo e o contraventor.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

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