Um piloto de caça sírio aterrissou nesta quinta-feira na Jordânia, onde pediu asilo político, o que constitui a primeira deserção de um piloto militar a bordo de seu avião desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad, que já deixou mais de 15.000 mortos em 15 meses.
Em uma nova jornada sangrenta, a repressão e os combates entre soldados e desertores deixaram cerca de 120 mortos nesta quinta-feira, com o Exército bombardeando incessantemente redutos rebeldes como Homs (centro) e Deraa (sul), segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Frente à espiral de violência, a comunidade internacional permanece impotente em razão essencialmente de suas divisões, que Moscou aumentou reduzindo as esperanças sobre seu apoio a uma saída do presidente Bashar al-Assad e defendendo seu direito de fornecer armas a Damasco.
Pela primeira vez desde o início da onda de contestação, no dia 15 de março de 2011, um piloto de caça sírio, o coronel Hassan Merhi al-Hamadé, desertou e aterrissou em uma base da Aeronáutica na Jordânia, a bordo de um MiG-21 de fabricação russa.
Segundo a oposição síria, para escapar dos radares, o avião decolou em alta velocidade e baixa altitude de um aeroporto militar localizado entre Deraa e Soueida, no sul do país. Ele pediu asilo político ao reino jordaniano, solicitação rapidamente atendida.
O governo sírio reagiu logo depois, acusando Hamadé de ser um "traidor", indicando ter entrado em contato com a Jordânia para pedir a restituição da aeronave militar com a qual o desertor fugiu para a Jordânia.
"O piloto é considerado um desertor e um traidor da nação e de sua honra militar. Ele será punido com base nas regras militares em vigor", indicou o ministério, citado pela televisão oficial.
Os Estados Unidos saudaram a deserção, considerando que esse piloto não será o último a abandonar o governo Assad, cujas tropas são acusadas pela ONU, por vários países ocidentais e por ONGs internacionais de "crimes contra a Humanidade".
O embaixador americano na Síria, Robert Ford, publicou depois em sua página no Facebook uma carta aberta aos soldados sírios pedindo que não apoiassem mais Assad, ressaltando que os autores das atrocidades serão procurados e julgados.
Nova jornada sangrenta
Diante da repressão brutal, a revolta marcada no início por manifestações pacíficas se militarizou com a deserção de dezenas de milhares de soldados, sendo que boa parte se juntou às fileiras do Exército Sírio Livre (ESL), segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos OSDH.
Desde o início da revolta síria, em meados de março de 2011, a repressão e os confrontos entre soldados e rebeldes mataram pelo menos 15.026 pessoas em todo o país, a maioria civis, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo OSDH.
Nas últimas semanas, o OSDH registrou várias dezenas de vítimas por dia, e nesta quinta indicou as mortes de 66 civis, 43 soldados, cinco rebeldes e cinco pessoas não-identificadas.
Várias cidades da província de Homs, onde os rebeldes estão entrincheirados, foram novamente alvos de bombardeios intensos e estão cercadas pelo Exército sendo, em alguns momentos, sobrevoadas por helicópteros, enquanto combates são travados entre soldados e desertores.
O bombardeio também atingiu localidades da província de Deraa. Algumas delas, como Inkhel, foram invadidas. Em Douma, próximo a Damasco, e também nas províncias de Aleppo (norte) e de Idleb (noroeste), o OSDH indicou bombardeios, combates e ataques contra soldados.
A Cruz Vermelha Internacional, que tenta retirar civis bloqueados em Homs, sobretudo doentes e feridos, vai tentar novamente na sexta-feira entrar na cidade, depois de ter tentado duas vezes na quinta sem êxito em razão da violência, segundo o Crescente Vermelho sírio.
Considerando ter o apoio de uma parte dos sírios, Assad se disse determinado a acabar com a insurreição "não importa a que preço", recusando-se a reconhecer a contestação, que ele chama de "terrorismo".
Divisões internacionais
Frente ao risco de guerra civil, o n°2 da Liga Árabe, Ahmed Ben Helli, pediu que a Rússia pare de fornecer armas a Damasco. Mas o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, afirmou que seu país pretende manter o fornecimento de armas à Síria, incluindo helicópteros e baterias anti-aéreas. Ele também considerou que forçar Assad a deixar o poder é "inviável".
Os ocidentais, que trabalham em uma resolução no Conselho de Segurança, e os árabes querem que o mandato do emissário internacional Kofi Annan seja reforçado, com um recurso ao Capítulo VII da ONU para forçar o regime e a oposição a aplicarem seu plano de saída da crise, que continua não sendo respeitado.
Annan deve conceder na sexta uma entrevista coletiva à imprensa em Genebra ao lado de Robert Mood, chefe dos observadores da ONU na Síria, que suspenderam suas operações em razão da violência.
Ele espera unir Washington, Moscou e outras potências em negociações com Assad sobre o futuro do país, e deve revelar o seu mapa do caminho por uma transição política durante uma reunião em Genebra no dia 30 de junho, segundo diplomatas e autoridades da ONU. O emissário internacional deve também se manifestar no dia 2 de julho sobre o futuro da missão dos observadores.
AFP
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Piloto de caça sírio deserta e pede asilo político à Jordânia
quinta-feira, 21 de junho de 2012
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