Defesa de Breivik rejeita insanidade para evitar internação

sábado, 23 de junho de 2012

Os advogados de defesa do atirador norueguês Anders Behring Breivik anunciaram nesta sexta-feira querer que ele seja declarado são e tenha permissão para assumir a responsabilidade por suas ações. O pedido é um contra-ataque ao pedido da Promotoria para que ele seja julgado como criminalmente insano - e, nesse caso, ele seria enviado para uma instituição psiquiátrica ao invés de ir para a prisão, onde poderia ficar por menos tempo.

Breivik confessou ter matado 77 pessoas em 22 de julho de 2011. Ele detonou uma bomba no centro de Oslo e depois seguiu para um acampamento de jovens do Partido Trabalhista na ilha de Utoya, onde disparou contra os participantes.

Quando Breivik assumiu a palavra no tribunal para justificar seus atos, várias famílias de vítimas deixaram a sala em protesto. Sua fala não foi transmitida pela TV como o resto da audiência.

- Breivik espera ser punido por suas ações, ou seja, ser tratado como criminalmente são pelo tribunal - afirmou o advogado de defesa Geir Lippestad. - Se olharmos para os direitos humanos básicos e levarmos em conta que o réu tem um projeto político, ver suas ações como uma expressão de doença é tirar um direito humano básico, o direito de assumir a responsabilidade pelas ações de alguém.

Nesta quinta-feira, promotores disseram que, apesar de não estarem completamente certos de que Breivik não é responsável por suas ações, ele deve ser declarado insano e levado para uma instituição psiquiátrica. Eles argumentam que é pior enviar um psicótico para a prisão do que mandar um não-psicótico para uma instituição psiquiátrica.

Um primeiro relatório psiquiátrico considerou Anders Breivik um psicótico esquizofrênico paranoico. Uma segunda análise, feita por uma outra equipe, concluiu que ele sofre de um distúrbio de personalidade narcisista, mas não é psicótico, e por isso, é legalmente são.

A defesa do atirador apoia a conclusão do segundo relatório, afirmando que os atos de Breivik foram motivados por fervor político de extrema-direita e não por fantasias e violência, como aponta o primeiro.

Para sustentar sua tese, Lippestad argumenta que Breivik poupou algumas pessoas na ilha de Utoya que ele não considerou serem politicamente ativas. Ele também escolheu ir para o acampamento dos jovens trabalhistas em vez de atirar aleatoriamente nas pessoas nas ruas de Oslo.

Os advogados de defesa argumentam ainda que todos que tiveram contato próximo com Breivik desde 22 de julho, de policiais a psiquiatras, descreveram-no como uma pessoa calma e bem comportada.

- Não houve sinais de violência nessas relações. A violência não tem sido o condutor de sua vida - afirma Lippestad.

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