O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou neste domingo que retirará seu embaixador do Paraguai e suspenderá o envio de petróleo para o país em represália ao impeachment de Fernando Lugo, que classificou como "golpe de Estado".
Crise: Brasil condena deposição de Lugo e convoca embaixador para consultas
"Ordenei retirar nosso embaixador de Assunção. E também vamos retirar o envio de petróleo. Sentimos muito, mas nós não vamos apoiar de forma alguma esse golpe de Estado", afirmou Chávez nas cerimônias de comemoração do 191º aniversário da Batalha de Carabobo, cuja transmissão foi feita nas redes nacionais de TV e rádio.
Segundo o jornal venezuelano El Universal, Chávez destacou que a burguesia do país se nega a admitir que o processo contra Lugo é uma ruptura à ordem democrática. Ele comparou o processo paraguaio ao golpe contra o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, que foi deposto após convocar um referendo em 2009. “Essas são as burguesias acostumadas a humilhar os povos, acostumadas a atropelar a Constituição e as leis”, concluiu.
De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, o diretor da estatal Petropar, Sergio Escobar, garantiu o fornecimento de combustível. Segundo ele, o Paraguai tem contratos vigentes com outras empresas, como a brasileira Petrobras, que provê 32 mil metros cúbicos mensais, e a Trafigura, que garante 70 mil metros cúbicos mensais – quantidade suficiente para satisfazer a demanda do país, segundo ele.
Além disso, ele disse que a Petropar conta com reserva de 130 mil metros cúbicos de combustível, o que garante o fornecimento de dois meses, e o setor privado conta ainda com uma reserva de 25 mil metros cúbicos.
Escobar pediu, portanto, que a população não se alarme com o anuncio de Chávez.
Brasil
No sábado, o governo brasileiro condenou a deposição de Lugo. Segundo informou o Itamaray, por meio de nota, o País convocou o embaixador do Brasil em Assunção, Eduardo dos Santos, para consultas, mas garantiu que não tomará medidas que prejudiquem "o povo irmão do Paraguai".
Neste domingo, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, descartou, a possibilidade de o Brasil e os demais países do Mercosul (Argentina e Uruguai) intervirem em questões internas do Paraguai. Mas Garcia reiterou as críticas do governo brasileiro à forma como foi conduzido o processo de impeachment.
A Argentina também anunciou a retirada de seu embaixador em Assunção após o impeachment Lugo, ato que o governo da presidente Cristina Kirchner considera uma "ruptura da ordem constitucional".
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Chávez retira embaixador do Paraguai e suspende envio de petróleo para o país
domingo, 24 de junho de 2012
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