SPFW: a moda de verão fica entre Paris e São Paulo

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Iesa Rodrigues, JB Online
SÃO PAULO - Uma declaração de amor a São Paulo foi o tema da Cavalera. O desfile aproveitou o elevado Costa e Silva, o popular Minhocão – que atravessa o Centro da cidade – um local que vira área de lazer aos domingos. Ao som de músicas de Caetano Veloso e Adoniran Barbosa, a coleção passou nas modelos de 1m90 e longos cabelos louros ou peles escuras, esguias como só as modelos podem ser, e também em gente comum, andando de skate, de bicicleta, mães carregando bebês, meninos ruivos e criancinhas gêmeas. Todos portando roupas derivadas de ícones paulistanos, como a bandeira listrada de preto e branco, as faixas amarelas do asfalto; as bandeiras do Corinthians, do Palmeiras e do São Paulo; os ternos dos executivos e até o clima instável, traduzido em estampas de nuvens no céu azul ou por um tom cinza, dos frequentes dias nublados.
Além do lado emocional, da paixão por uma cidade considerada inóspita, o evento chamou a atenção para a revitalização da área central. A subprefeitura da região da Sé incentiva ações deste tipo, como a Virada Cultural, e deu o apoio para a realização da homenagem da moda. Porque havia também uma moda muito boa, focada nos jeans clareados, com efeitos de rasgões e desfiados – é a volta do estilo destroy, original dos belgas nos anos 1990. Nos vestidos de babados, curtinhos, sobre shorts em jeans, e na riqueza dos dourados e prateados em regatas sobrepostas, com recortes circulares. Nem os executivos que circulam na Avenida Paulista e nas torres da Avenida das Nações Unidas escaparam da estilização assinada por Igor de Barros e Fabiano Grassi.
Listras finas, bem menos óbvias do que as vistas na Cavalera, também lembraram a bandeira paulistana na Neon, marca famosa pelas estampas exclusivas. Um ar de James Bond e anos 1960, afirmado pela volta aos palazzo-pijamas estampados, aos lenços nos cabelos e às sandálias de tirinhas e salto Anabela. Um glamour que contou com pivôs e paradinhas na passarela debaixo da marquise do Ibirapuera, outro detalhe da década de 60, reproduzido com classe por modelos como Marina Dias e Viviane Orth.
O mineiro Ronaldo Fraga, famoso pelos desfiles performáticos, levou a Disneylandia para o México, e ironizou os personagens e as histórias americanas, misturando Pato Donald e vilões com as caveiras e florais bordados das festas mexicanas. Os cabelos em forma de orelhas de Mickey e o final de vestidos recortados em silhuetas marcaram o estilo de Ronaldo, que sempre supera os limites da moda e avança em visões poéticas e culturais.
A influência da França é uma das marcas desta 27ª São Paulo Fashion Week, que se encerra hoje, com o desfile de André Lima. Nem a moda masculina escapa das lembranças de Paris, cidade que o estilista Mario Queiroz frequenta desde 1980. No cenário em forma de bistrô, desfilaram camisetas de mangas 7/8, em listras preto e branco, calças de gancho baixo, com paletós estreitinhos e curtos, bermudas com bordados de orquídeas e muitas calças em padrão vichy, o xadrezinho típico da moda francesa, muito usado nas calças. Um tecido conhecido por ser usado nas calças dos grandes chefs de cozinha.
Hoje a agenda inclui a carioca Isabela Capeto, Reserva – também do Rio – Samuel Cirnansk, Wilson Ranieri, a moda masculina de Alexandre Herchcovitch, os maiôs da Movimento.

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